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Sífilis: proteja-se da infecção que voltou a ser epidemia no Brasil

A Sífilis voltou a ser uma epidemia no Brasil desde 2016. Tire todas as suas dúvidas sobre essa infecção e saiba como se proteger.

Mariana Duarte
em 11-Jul-2017

A Sífilis (conhecida popularmente como cancro duro) voltou a ser considerada uma epidemia no Brasil desde meados de 2016, embora a quantidade de casos tenha chegado a níveis alarmantes antes disso.

Tire as suas dúvidas sobre essa infecção e saiba como se proteger:

O que é Sífilis?

A Sífilis é uma IST (infecção sexualmente transmissível) causada por uma bactéria espiralada de nome Treponema pallidum. Anteriormente era considerada uma DST (doença sexualmente transmissível), mas segundo o Decreto nº 8.901/2016 do Ministério de Saúde essa nova denominação é mais correta, pois doenças sempre apresentam sintomas, mas infecções podem ter fases assintomáticas, como veremos adiante.

Essa IST pode apresentar quatro estágios diferentes: primária, secundária, latente e terciária.

Sintomas da Sífilis nos diferentes estágios

A Sífilis é transmissível durante os dois primeiros estágios e o início do período latente. Geralmente, acontece na seguinte ordem:

  1. Estágio primário: o sintoma do estágio primário de Sífilis é uma única ferida com aspecto rígido, que pode estar localizada na boca, no ânus, vagina, pênis, vulva ou outros locais da epiderme e que aparece de 10 a 90 dias após o contágio. Nesse estágio não há dor, coceira, ardência nem pus, mas podem surgir ínguas na virilha;
  2. Estágio secundário: depois que a ferida do estágio primário aparece e some espontaneamente, passarão entre seis semanas e seis meses até que os sintomas do estágio secundário da Sífilis surjam. Entre eles destacam-se manchas corporais (principalmente nas mãos e nos pés), dores musculares, febre e inchaços glandulares. Não há coceira, mas nesse estágio já aparecem ínguas em diferentes regiões do corpo;
  3. Estágio latente: esse estágio é também conhecido como fase assintomática da Sífilis e, como o próprio nome diz, não há sintomas. A duração dessa fase varia de pessoa para pessoa e pode ser interrompida a qualquer momento pelos sinais e sintomas do estágio primário, secundário ou terciário. Se a infecção tiver ocorrido há menos de um ano, essa fase é chamada de Sífilis Latente Precoce; se tiver ocorrido há mais de um ano, é chamada de Sífilis Latente Tardia;
  4. Estágio terciário: esse é o estágio mais grave da Sífilis, que pode até mesmo levar à morte. Entre os sintomas destacam-se lesões na pele, nos ossos, no cérebro e nos órgãos do sistema cardiovascular. Podem aparecer de dois a 40 anos após a infecção.

Pode ocorrer sobreposição de estágios.

Por que a Sífilis voltou a ser epidemia no Brasil?

No século XV houve uma epidemia global de Sífilis que dizimou parte da população europeia. Depois, na década de 70, houve uma epidemia de Sífilis no Brasil. No entanto, com a descoberta do vírus HIV as campanhas para uso de camisinha foram promovidas em massa na década de 80 e assim, os casos de Sífilis diminuíram consideravelmente.

Porém, em 2015 quase 66 mil casos foram notificados, com uma proporção de 1,5 homens para uma mulher. Isso significou um aumento de quase 5000% em relação aos casos notificados em 2010. Os casos de transmissão vertical também aumentaram, chegando a triplicar entre 2010 e 2015.

Isso aconteceu principalmente pela falta de conscientização acerca do uso de preservativos em relações sexuais e o excesso de confiança em parceiros fixos. Muitos se esquecem de que ninguém vem com uma etiqueta informando que está infectado, por isso o melhor caminho ainda é a prevenção.

Outro grande problema da Sífilis é que, como seus sintomas iniciais desaparecem em um curto período de tempo, muitas pessoas não procuram o tratamento adequado e, assim, infectam outras pessoas e passam para estágios mais graves ao decorrer do tempo.

Por fim, a indústria farmacêutica mundial tem negligenciado a produção do medicamento que é usado no tratamento da Sífilis por ser pouco lucrativo. Além disso, aumentaram o preço desse medicamento, dificultando o acesso a ele.

Formas de transmissão da Sífilis

Transmissão sexual: essa é a forma de transmissão mais comum da Sífilis e acontece quando há relação sexual sem o uso de preservativo masculino ou feminino. Um fator de risco é a infecção por HIV;

Transmissão vertical: esse tipo de transmissão acontece quando uma mulher infectada fica grávida. A transmissão pode acontecer durante a gestação ou no momento do parto.

Perigos da Sífilis congênita

A Sífilis congênita é aquela transmitida de mãe para filho durante a gestação ou o parto (transmissão vertical). Entre os perigos dessa infecção fetal estão:

  • Parto prematuro;
  • Má formação fetal;
  • Surdez e cegueira fetal;
  • Deficiência mental;
  • Aborto espontâneo;
  • Morte neonatal.

Portanto, faça os testes e siga à risca as recomendações médicas se tiver suspeitas ou confirmação de infecção por essa IST.

Caso a criança nasça com Sífilis congênita, deverá ficar internada por 10 dias, realizando diversos testes antes de poder receber alta hospitalar.

Como me proteger da Sífilis?

  1. Faça uso regular de preservativo masculino ou feminino durante as relações sexuais;
  2. Submeta-se a testes rápidos de IST, assim como o (a) seu parceiro (a) também deve realiza-los;
  3. Se pretender engravidar, procure realizar os testes antes de começar a tentar;
  4. Se estiver grávida e infectada por Sífilis, é essencial ter um bom acompanhamento pré-natal para evitar o contágio fetal. Na hora do parto, uma cesariana será indicada se houverem feridas no canal vaginal.

Como a Sífilis é diagnosticada?

Se você tem suspeita de que está infectado pela bactéria Treponema pallidum, anote todos os seus sintomas e procure ajuda médica o quanto antes. Os serviços de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde) dispõem de testes rápidos que diagnosticam Sífilis em menos de trinta minutos.

Se o resultado for positivo, será coletada uma amostra de sangue que será encaminhada para um exame laboratorial a fim de confirmar o diagnóstico, pois o resultado positivo pode indicar uma Sífilis já curada, por exemplo.

No caso de gestantes, não se deve aguardar o resultado do exame laboratorial para dar início ao tratamento, pois a infecção fetal por Sífilis pode ser fatal.

Existe tratamento para a Sífilis?

Existe e apenas um profissional pode recomendar o melhor tratamento de acordo com o estágio em que a Sífilis se encontra, porém o medicamento padrão é a penicilina G do tipo benzatina (benzetacil). Inclusive, esse é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical (de mãe para filho);


Tratamento de Sífilis congênita: deve ser realizado com penicilina G do tipo cristalina;

No caso de alergia à penicilina, a dessensibilização controlada é altamente recomendável.

Duração do tratamento: a duração do tratamento é variável de acordo com o estágio em que a Sífilis está e a presença de co-infecção por HIV. O estágio terciário necessita de tratamento por períodos mais longos, mas se detectado precocemente a aplicação de apenas uma injeção do medicamento já pode ser eficaz.

Efeitos colaterais: o tratamento de Sífilis costuma apresentar sintomas como náuseas, febre, calafrios e dores no corpo. No entanto, esses sintomas somem rapidamente.

Recomendações adicionais:

  • Nunca se automedique. Procure um profissional da saúde se apresentar sintomas;
  • O (a) parceiro (a) da pessoa diagnosticada também deve ser tratado a fim de evitar reinfecções;
  • O tratamento evita a evolução dos estágios da Sífilis, mas não reverte os danos já causados. Portanto, o diagnóstico precoce é imprescindível;
  • Novos exames devem ser realizados depois de três, seis, doze e 24 meses após o tratamento para confirmar a cura.

Resumo: a Sífilis é uma IST que causou uma epidemia global no século XV, uma nacional na década de 70 e voltou a ser considerada epidemia no Brasil a partir de 2016. Ela apresenta quatro estágios e pode ficar latente no organismo por diversos anos. Pode até mesmo nunca manifestar nenhum tipo de sintoma no infectado. Você verá que prevenir o contágio por essa IST é bastante simples, embora muitas pessoas negligenciem os cuidados necessários para a prevenção.

Você também entenderá os motivos que levaram ao aumento de casos dessa infecção no Brasil e por que os casos de Sífilis congênita têm preocupado tanto as gestantes e os profissionais de saúde, assim como os danos que ela pode causar ao feto.

Conheça agora e tire todas as suas dúvidas sobre os estágios, sintomas, formas de prevenção, diagnóstico, formas de transmissão e os tratamentos disponíveis para essa IST que pode causar inúmeros danos à saúde, podendo inclusive ser fatal se não diagnosticada e tratada a tempo. Se ainda restar alguma dúvida, não hesite em perguntar na área de comentários.

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