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Resistência a antibióticos prejudica tratamento da gonorreia

A bactéria que causa a gonorreia tem se tornado mais resistente aos antibióticos nos últimos anos. Isso significa que está mais difícil de tratar essa doença em muitos países, sendo que, todos os anos, ela afeta mais de 78 milhões de indivíduos.

Mariana Duarte
em 04-Ago-2017

Embora a gonorreia seja uma DST – doença sexualmente transmissível – possível de evitar com o uso de preservativo, a verdade é que o seu tratamento está cada vez mais difícil. Isso acontece porque a bactéria que causa a doença se tornou resistentes aos antibióticos normalmente usados para tratá-la.

Essa é a conclusão da OMS – Organização Mundial da Saúde, que está alertando os países sobre a necessidade de campanhas que conscientizem a população sobre as formas de prevenção. Como outras bactérias, a da gonorreia consegue com o tempo evoluir e resistir aos novos tratamentos desenvolvidos.

Isso quer dizer que em alguns anos, a doença pode se tornar incurável. Não é apenas o Brasil que está passando por um surto de gonorreia, outros 70 países estão na mesma situação. Com isso, estima-se que mais de 78 milhões de pessoas são contaminadas todos os anos.

O número pode ser muito maior, uma vez que nos países pobres, com mais casos de gonorreia, são menos eficientes os mecanismo de diagnóstico e levantamento da doença. Já o tratamento mais atual para combater a bactéria é feito com dois antibióticos. São eles o azitromicina e a ceftriaxona, recomendados pela OMS desde 2016.

Esses medicamentos foram efeitos depois que o cefalosporina, até então usado, não apresentou mais eficiência em cerca de 50 países. Embora seja uma doença já considerada comum, a produção de novos antibióticos não é muito atrativa para a indústria farmacêutica, de acordo com a OMS.

Isso porque o medicamento para tratar a gonorreia é prescrito só para períodos curtos, sendo menos lucrativo, sem contar que a sua eficiência cai na medida em que a bactéria se torna resistente. Mesmo assim, três novas drogas estão em fase de desenvolvimento.

Quando uma bactéria se torna resistente aos medicamentos, ela recebe o nome de superbactéria. Isso acontece com as bactérias são espertas e conseguem sobreviver ao tratamento. Para entender melhor é necessário saber como elas evoluem.

Como uma bactéria se torna resistente

Quando um paciente possui uma doença causada por bactérias e toma um antibiótico, o remédio elimina uma grande quantidade desses microrganismos. Porém, alguns deles conseguem sobreviver, o que os torna resistentes, ainda mais porque como outras bactérias foram mortas, sobra mais espaço para os sobreviventes se reproduzem.

Assim, quando a medicina percebe que uma bactéria se tornou resistente a um remédio, desenvolve-se outro. No entanto, algumas bactérias, como é o caso da causadora da gonorreia, possui um alto poder de mutação, ou seja, exemplares mais resistentes rapidamente surgem.

Além disso, quando as pessoas fazem uso inadequado de antibióticos, ao se automedicarem, por exemplo, elas aceleram esse processo de seleção das bactérias, as quais se tornam mais resistentes mais rapidamente. Outro fator é que a bactéria da gonorreia ganha resistência ainda quando realiza trocas de DNA com outros micro-organismos.

Ou seja, se essa bactéria chegar à garganta, por exemplo, ela consegue material genético de germes que vivem ali e já se tornaram resistentes, depois do tratamento medicamentoso. Além disso, o alto número de pessoas que se contaminam em todo o mundo também colabora para que uma bactéria se torne uma superbactéria.

Mas não é de hoje que a bactéria da gonorreia ganha resistência contra os medicamentos. Durante a década de 1960, a doença era facilmente tratada com a penicilina e a ampicilina, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, agência estadunidense.

Causas e sintomas da gonorreia

A bactéria responsável pela infecção de gonorreia é chamada Neisseria gonorrhoeae, conhecida ainda como gonococo. A forma de contágio é por meio do sexo sem proteção, independente do contato ser vaginal, anal ou oral. Além disso, homens e mulheres estão sujeitos à contaminação na mesma proporção.

Depois da infecção, a bactéria se prolifera pelo organismo do indivíduo contaminado, inclusive, em suas áreas úmidas e quentes. Por isso, a uretra, o canal por onde passa a urina, é uma das partes que mais sofre com a doença. No entanto, a bactéria pode se proliferar ainda para o útero, colo do útero e para as tubas uterinas das mulheres.

Dessa forma, a contaminação pode ocorrer de mãe para filho, seja quando o bebê está no útero ou mesmo durante o parto. Nos recém-nascidos, a gonorreia é diagnosticada principalmente por meio dos olhos, já que o sintoma mais comum é uma conjuntivite grave, porém, a infecção também pode ser disseminada.

Em adultos, os sintomas nem sempre são visíveis, dificultando o diagnóstico e contribuindo para que pessoas contaminadas passem a doença, muitas vezes, sem nem mesmo saber. Já quando eles aparecem, os mais comuns são na região genital. Em homens os sinais mais frequentes são os seguintes:

  • Dor ao urinar;
  • Ardência ao urinar;
  • Dor em um dos testículos.
  • Inchaço em um dos testículos;
  • Secreção com pus que sai da uretra.

Em mulheres, os sintomas mais comuns da gonorreia são os seguintes:

  • Corrimento vaginal anormal, de coloração amarelada e cheiro ruim;
  • Dor ao urinar;
  • Ardência ao urinar;
  • Sangramento que não é menstruação;
  • Dor no abdômen;
  • Dor na região pélvica.

Em ambos os sexos os sinais da doença se manifestam ainda em outros locais:

  • Coceira na região anal;
  • Sangramento e secreção com pus pelos ânus;
  • Sensibilidade à luz e dor nos olhos;
  • Secreção de pus em um ou nos dois olhos;
  • Dor para engolir e surgimento de placas amareladas na garganta;
  • Dor, inchaço vermelhidão das articulações.

Como tratar a gonorreia

O tratamento para a gonorreia conta basicamente com o uso de antibióticos, que devem ser prescritos unicamente por um especialista. No caso de gonorreia em bebês, logo após o parto eles recebem um medicamento nos olhos para evitar infecção. Se não for suficiente, deve ser tratado com antibióticos também.

Mesmo depois que os sintomas desapareçam, quando houver, é importante que o paciente continue visitando o médico, até que receba alta. Esse acompanhamento é necessário para se certificar que a bactéria foi eliminada e a doença curada. As chances disso ocorrer são maiores quando a bactéria não se prolifera pelo corpo do paciente.

Já quando o paciente não busca tratamento ou não o realiza de modo adequado, pode haver complicações, entre elas:

  • Infertilidade;
  • Infecções recorrentes;
  • Maior chances de contrair Aids/HIV.

O tratamento também consiste no paciente contaminado informar sobre a doença às pessoas com quem teve sexo desprotegido. Dessa forma, todos podem receber o tratamento adequado.

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