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Remédio para tratar leucemia infantil não será mais importado da China; entenda o caso

Por solicitação do Ministério Público, o governo federal não vai mais comprar medicamento para tratar leucemia em crianças, que era importado da China. Recomendação é de retirar unidades já entregues nos hospitais públicos e voltar a adquirir o fármaco do Japão, como anteriormente.

Mariana Duarte
em 21-Jul-2017

Desde o começo de 2017, o Ministério da Saúde importa da China o medicamento Leuginase, indicado para tratar crianças que sofrem de leucemia linfoide aguda. No entanto, a comunidade médica está criticando o seu uso, uma vez que não existem estudos que comprovem a eficácia do remédio.

Além disso, o fármaco não possui o registro junto à Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Embora a importação tenha passado pela autorização da agência, a mesma conta que não tem dados técnicos suficientes para dar um parecer conclusivo sobre o medicamento.

Outra razão para o Leuginase receber críticas é que exames feitos comprovaram que ele possui alta carga de impurezas. Especialistas concluem com isso que a sua utilização é perigosa para os pacientes. Estima-se que em torno de 4 mil crianças brasileiras precisam do remédio.

Perante esses acontecimentos, foi solicitado ao Ministério Público intervir e solicitar ao governo federal que não adquirisse mais o remédio da China, o que foi acatado pelo governo. O órgão também recomenda que o Ministério da Saúde volte a comprar o fármaco anteriormente importado do Japão.

No entanto, o ministro da saúde, Ricardo Barros, informou que no próximo pregão vencerá quem oferecer o menor preço pelo medicamento. Foi pedido ainda que o governo retirasse as unidades de Leuginase dos hospitais públicos, onde são usados no tratamento. Isso, entretanto, não foi realizado pelo governo.

Entenda o tratamento da doença

A leucemia é um tipo de câncer que, basicamente, tem início na medula óssea, o tecido mole dos ossos, que fabrica os glóbulos brancos e vermelhos, bem como as plaquetas. Como nos demais tipos dessa doença, por alguma razão que a medicina desconhece, as células da medula se tornam cancerígenas, multiplicando-se de forma inadequada e substituindo as saudáveis.

Existem quatro tipos mais comuns de leucemia, sendo que uma delas é a Leucemia Linfoblástica Aguda, que se caracteriza por ter origem nos precursores dos linfócitos, os blastos. Os linfócitos ou glóbulos brancos têm a função de proteger o organismo de infecções. Isso quer dizer que uma pessoa com essa doença tem um sistema imunológico mais fraco.

A Leucemia Linfoide Aguda, quando afeta as crianças, causa um crescimento demasiado das células progenitoras da medula óssea. Essa doença é a mais comum entre os cânceres em crianças e só mais recentemente não é considerada uma fatal, em parte, graças às terapias modernas usadas no tratamento.

Entre elas, é possível citar os medicamentos usados em crianças com leucemia. Por isso, as críticas a respeito do fármaco usado nesses casos não ser o mais indicado tornaram-se tão polêmicas. Vale dizer que o Leuginase é o nome comercial da Asparaginase, importado pelo Ministério da Saúde para tratar as crianças com leucemia linfoide aguda.

O fármaco, que antes era importado do Japão, se chama Elspar. Ele consiste em uma enzima que tem a função de diminuir a asparagina do organismo, uma substância que é utilizada pelas células cancerígenas para se desenvolver.

Já que no Brasil não existem laboratórios que produzam a Asparaginase, desde a década de 1970, o governo precisa importar esse remédio, o que também já foi feio por meio de laboratórios da Alemanha e dos Estados Unidos. No entanto, desde 2010, a oferta desse remédio diminuiu, colaborando para a mudança.

Além de algumas discrepâncias em relação aos documentos e endereços dos representes comerciais da chinesa Leuginase, outro fato preocupante que veio à tona é que na bula do remédio aparecem efeitos colaterais que na bula de outras marcas não aparecem.

É o caso de sintomas adversos como alucinações, depressão e loucura. Em outras bulas, como a Asparaginase, os efeitos colaterais listados são enjoos, vômitos, tontura, fraqueza, perda de apetite e coceira pelo corpo.

Sintomas e diagnostico da leucemia linfoide aguda

A Leucemia Linfoide Aguda é a mais comum das leucemias em crianças e adolescentes, sendo que também há boas chances de cura quando os pacientes são tratados adequadamente. Além disso, quanto antes a doença for diagnostica melhor, pois o tratamento precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento.

Desse modo, se faz necessário conhecer os sintomas dessa doença, para diagnosticá-la com mais facilidade, ainda mais porque esse tipo de leucemia é bastante agressivo. Nos pequenos, os sintomas também são vistos por meio da mudança de comportamento, que é mais evidente nessa fase da vida.
Entre os principais sintomas da Leucemia Linfoide Aguda é possível citar:

  • Dor de cabeça;
  • Vômito;
  • Dor nos ossos e nas articulações;
  • Cansaço;
  • Sonolência;
  • Palidez;
  • Pequenos hematomas roxos na pele;
  • Infecções recorrentes;
  • Linfonodos e baço aumentados;
  • Febre.

Quando crianças e adolescentes apresentam esses sintomas, é urgente levá-los ao médico para uma avaliação. Quando o especialista avalia necessário, pode solicitar um exame de sangue completo, já que a doença leva a números anormais dos glóbulos brancos. A Leucemia Linfoide Aguda afeta ainda as plaquetas e os glóbulos vermelhos.

Quando esse exame identifica anomalias, o próximo passo é o mielograma, que consiste em retirar uma gota de sangue da medula óssea. Pouco comum, mas também existe a possibilidade do médico solicitar uma biópsia da medula óssea, quando é retirado um pequeno pedaço do osso da região lombar.

Com essas amostras é possível fazer inúmeros testes para avaliar se o paciente possui leucemia e de que tipo ela é. A maioria desses exames está disponível no SUS – Sistema Único de Saúde, responsável, hoje, por tratar de inúmeras crianças com a doença. Além de remédios, o especialista pode combinar outros tratamentos.

É o caso da quimioterapia que, quando realizada acontece em ciclos, assim, o paciente tem períodos de tratamento e de descanso, a fim de ajudar na recuperação do organismo. As transfusões de sangue também podem ser necessárias, para controlar os sangramentos ou para evitar a anemia, o que ocorre quando são os glóbulos vermelhos atingidos pelo câncer.

A radioterapia é menos comum em leucemias, no entanto, faz parte do tratamento quando as células cancerígenas se alastram para o sistema nervoso. Pode ser necessária ainda em casos de transplante de medula óssea no paciente. Já o transplante é realizado apenas quando os demais tratamentos não mostrarem bons resultados.

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